Terça, 21 de Novembro de 2017
LITURGIA

AMARÁS...!!!!


Ano A - 26 de outubro de 2014
O mandamento mais importante. - Mt 22,34-40
Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então se reuniram, e um deles, um doutor da Lei, perguntou-lhe, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Ele respondeu: “‘Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. Ora, o segundo lhe é semelhante: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

Comentário do Evangelho
A CENTRALIDADE DO AMOR
Os mestres da Lei e os fariseus davam a todos os mandamentos a mesma importância. Parecia-lhes ser uma falta de respeito classificá-los segundo diferentes graus de importância. Se todos correspondiam à vontade de Deus, deveriam ser levados igualmente a sério e vividos com a mesma intensidade.
Acontece que os mandamentos foram maximamente multiplicados, a ponto de se tornarem um emaranhado de normas e prescrições. Por outro lado, até mesmo coisas irrelevantes eram objeto de prescrições legais, de forma colocar a vida diária numa espécie de camisa de força legalista.
Com este pano de fundo, entende-se a pergunta levantada pelo mestre da Lei a respeito do "maior mandamento". Embora sua intenção fosse fazer Jesus cair numa armadilha, ele compreendia que os mandamentos não tinham todos igual valor.
A resposta de Jesus apela para o amor a Deus e o amor ao próximo, como resumo de todos os mandamentos. "Deles decorre toda a Lei, assim como os profetas." Eles são a chave de interpretação de toda a Bíblia, onde as coisas só têm sentido se conduzem ao amor. Somente quem ama está em condições de compreender os ensinamentos bíblicos. O motivo é simples: apenas o amor coloca o ser humano em perfeita sintonia com o Deus da Bíblia.

Oração
Espírito de amor, que minha vida esteja toda centrada no amor a Deus e ao próximo, decorrendo, daí, todo o meu querer e meu agir.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – http://www.domtotal.com/religiao/meu_dia_com_deus/evangelho_dia.php?data=2014-10-26)
Sob a grande pedra
(Carlo Carretto - Cartas do deserto)
A pista, branca pelo sol, corria na minha frente não delimitada. As valetas na areia, deixados pelos pneus de grandes caminhões de petróleo, me obrigavam a uma ginástica contínua para manter a direção da jipe.
O sol era alto e eu sentia-me cansado. Só o vento que soprava na frente do carro permitia à jipe de continuar, mesmo que a temperatura fosse infernal e a água fervesse no radiador. De vez em quando meu olhar pousava-se no horizonte. Sabia que na região tinha grandes blocos de granito pousados na areia: muito procurados porque lugares de sombra, para fazer o acampamento e esperar a noite para prosseguir a viajem. De fato, lá pró meio-dia, encontrei o que estava procurando: grandes rochas apareceram à esquerda da pista; eu cheguei perto, certo que teria encontrado um pouco de sombra.
Não fiquei decepcionado. Na parede norte de uma grande pedra, alta mais ou menos uns 10 metros, um fio de sombra projetava-se sobre a areia vermelha. Estacionei a jipe contra vento para esfriar o motor e descarreguei o "ghess", ou seja, o quite para fazer o acampamento: "uma esteira, um saco com comida, dois cobertores e o tripé para o fogo.
Mas, chegando perto da rocha, na sombra, percebi que já tinha alguém: duas víboras estavam enroladas na areia e me vigiavam sem se mexer. Dei um pulo para trás, cheguei perto da jipe sem tirar o olhar das duas cobras; peguei o fuzil, uma velha arma que um indígena tinha me emprestado para ajudá-lo a matar os bichos que estavam atacando seu rebanho, levados pela fome e pela falta de água.
Coloquei munição de chumbo média; comecei me afastar, procurando acertar as duas víboras com um tiro só, para não gastar munições. Atirei e vi que os dois bichos pularam no ar numa nuvem de areia. Limpei a área do sangue e dos restos das víboras, vi que do ventre aberto de uma delas saia um pássaro ainda não digerido.
Ajeitei a esteira, que no deserto é tudo: capela, sala de jantar, quarto, sala de visita... e sentei.
Era a hora sexta e peguei o breviário. Rezei alguns salmos, mas com muito esforço, pelo cansaço e a lembrança das duas víboras que de vez em quando voltava sobre os versículos. Um vento quente vinha do sul e minha cabeça doía. Levantei; medi a água que estava sobrando antes de chegar ao poço de Tit, e decidi de sacrificar um pouco. Peguei, da garrafa de pele de cabra, um litro e joguei-a na minha cabeça. A água encharcou o turbante, desceu no meu pescoço e na roupa; o vento fez o resto; a temperatura, de 45 graus, desceu em poucos minutos a 27. Com aquela sensação de frescura deitei na areia para dormir, porque no deserto o descanso precede o almoço.
Para ficar mais confortável procurei um cobertor para colocá-lo debaixo da cabeça. Tinha dois cobertores, e sabia bem disso. Um cobertor ficou perto de mim, sem usar, e olhando-o , não me sentia tranquilo.
Mas, se vocês quiserem entender, têm que ouvir a história.
A noite anterior tinha passado por Irafok, uma pequena cidadezinha de negros, ex escravos dos Tuareg. Como sempre, quando se chega numa cidadezinha, a população corre e se ajunta ao redor da jipe, seja por curiosidade, seja pelos pequenos serviços que quem frequenta as pistas do desertos faz: levar um pouco de chá, distribuir remédios, entregar algumas cartas...
Aquela noite tinha notado o velho Kadá que tremia pelo frio. Parece estranho falar de frio no deserto, mas é isso mesmo; tanto que no Sahara se diz: "pais frio onde faz muito calor quando tem o sol". Mas o sol já tinha-se posto; e Kadá tremia. Tive o impulso de lhe dar um dos dois cobertores que estavam comigo e que fazia parte do meu "ghess"; mas afastei rapidamente o pensamento. Pensava na noite, e sabia que também eu teria passado frio. Aquele pouco de caridade que morava em mim voltou a me incomodar, relembrando-me que minha pele não valia mais que a dele e que seria bom dar-lhe um cobertor; e que , se eu tremesse um pouco, isso seria mais do que justo para um irmãozinho de Charles de Foucauld.
Quando parti, os dois cobertores ainda estavam na jipe; e agora estavam lá, diante de mim me incomodando. Queria dormir, com os pés apoiados na grande rocha, mas não conseguia. Lembrava que um Tuareg, no mês anterior, tinha sido esmagado por uma grande pedra justamente enquanto estava descansando. Levantei para verificar que a pedra estivesse firme: vi que estava meia torta, mas não tanto de se tornar perigosa. Deitei novamente na areia. Se dissesse que sonhei, pareceria estranho. Mas o mais estranho é que sonhei que estava dormindo debaixo da grande pedra e, a um certo ponto... Não parecia um sonho, de jeito nenhum! Vi a pedra se mexer; e senti que caia em cima de mim. Que momento terrível!
Eu estava morto. Sentia meus ossos quebrar, estava morto mesmo! Fiquei surpreso que nenhum dos meus ossos estava doendo: só tinha ficado imobilizado. Abri os olhos e vi Kada tremendo diante de mim em Irafok. Então, não hesitei mais em oferecer-lhe o cobertor, tanto que estava perto de mim sem eu usá-lo, a um metro de distância. Estiquei a mão para oferecer-lhe o cobertor, mas a pedra tinha-me imobilizado, me impedia até o menor movimento. Compreendi que aquele era o purgatório e que o sofrimento da alma era o "de não poder fazer o que antes poderia ser feito e que deveria fazer!". Quem sabe por quantos anos teria olhado para aquele cobertor perto de mim, naquela posição incômoda, que testemunhava meu egoísmo e, portanto, minha imaturidade para entrar no Reino do Amor! Fiquei pensando e me perguntando por quanto tempo teria ficado debaixo daquela pedra. A resposta foi-me sugerida pelo Catecismo: "Até que você será capaz de um ato de amor, e de amor puro!". Naquele momento eu não me sentia capaz.
O ato de amor puro é o ato de Jesus, que sobe ao Calvário para morrer por todos nós. Para mim, membro do seu Corpo Místico, o pedido era se eu tinha chegado a tanta maturidade no Amor, tanto de desejar seguir meu Mestre no Calvário para a salvação dos meus irmãos. A presença do cobertor negado a Kadá na noite anterior dizia-me que ainda tinha muito caminho a percorrer! Capaz de ver um irmão que treme e passar além, como teria conseguido morrer por ele, a imitação daquele Jesus que morreu por todos? Aqui compreendi que estava perdido; e que se Alguém não tivesse me ajudado, eu teria passado épocas geológicas sem me poder mexer.
Olhai além e percebi que todas aquelas grandes pedras do deserto só eram sepulcros de outras pessoas. Eles também, julgados sobre o amor, foram encontrados frios, e estavam esperando Aquele que um dia disse: "Eu vos ressuscitarei no último dia!".

 

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