Terça, 21 de Novembro de 2017
PENSAMENTOS

TEMPO COMUM: EM NAZARÉ...


MARIA, MULHER DO COTIDIANO

O Concílio Vaticano II diz: "Maria vivia na terra uma vida comum a todos, cheia de solicitude familiar e de trabalho".
Portanto, Maria vivia na terra. Não nas nuvens. Seus pensamentos não eram aéreos. Seus gestos tinham por parada obrigatória os perímetros das coisas concretas. Mesmo permanecendo em profunda intimidade com Deus, ouvindo sua voz que a chamava, nunca se sentia dispensada da fadiga de permanecer com os pés no chão. Longe das visões abstratas, como também das evasões dos insatisfeitos, ou das fugas dos ilusos, permanecia teimosa na residência do terrível cotidiano.
Mais ainda: vivia uma vida comum a todos. Ou seja, parecida à vida da vizinha de casa. Bebia a água do mesmo poço. Debulhava o trigo do mesmo campo. Sentava no mesmo quintal. Ela também chegava cansada, à noite, depois de um dia de trabalho. A ela também, um dia, alguém disse: 'Maria, teus cabelos estão brancos!'. Ela foi se espelhar, na caixa d'água, e sentiu também, como toda mulher, a saudade da juventude que está passando. As surpresas porém, não terminaram, porque saber que a vida de Maria foi cheia de solicitude familiar e di trabalho, próprio como a nossa, torna esta criatura tão próxima das nossas fadigas, e nos faz suspeitar que nossa rotina não é, talvez, tão banal como nós, muitas vezes, pensamos.
Ela também teve problemas de saúde, de economia, de relações, de adaptação. Quiçá quantas vezes voltou da cidade com dor de cabeça, ou preocupada porque José há alguns dias não tinha muito trabalho na empresa.
E em quantas portas bateu, pedindo que alguém pegasse Jesus como diarista, na estação da colheita. Quiçá quantas tardes ela gastou para costurar a túnica, já consumida de José, tentando fazer um manto para seu filho, para que ele não passasse vergonha na escola, entre seus colegas, em Nazaré.
Como todas as esposas, ela também, com certeza, teve momentos de crise no relacionamento com seu marido, tão calado e portanto, difícil para compreender. Como todas as mães também ela, entre medos e esperanças, terá espiado Jesus enquanto crescia nos caminhos tortuosos da adolescência. Como todas as mulheres ela também sentiu o sofrimento de não se sentir compreendida, nem sequer dos dois amores maiores que tivesse nesta terra. E talvez teve também medo de não agradá-los... Ou de não dar conta de seu papel de mãe e esposa...
E depois de lágrimas derramadas no silêncio, terá encontrado na oração, feita juntos, a alegria e a paz de uma comunhão não humana. [...]
Santa Maria, mulher do cotidiano, ajudai-nos a compreender que o capítulo mais fecundo da teologia não é o que te coloca na Bíblia o na patrística, na espiritualidade ou na liturgia, nos dogmas ou da arte. Mas sim o que te põe dentro da casa de Nazaré, onde entre panelas e agulhas, entre lágrimas e orações, entre novelos de lã e rótulos da Escritura, você experimentou com toda tua natural feminilidade, alegria sem malícia, tristeza sem desespero, partidas sem voltas.
Santa Maria, mulher do cotidiano, livrai-nos da saudade da grandeza, e ensinai-nos a considerar a vida cotidiana como o laboratório onde construir a história da salvação. Aliviai-nos de nossos medos, para que possamos experimentar, como você, o abandono à vontade de Deus, nos momentos eternos do tempo e nas agonias lentas das horas.
E volta para caminhar conosco, discretamente, ó criatura extraordinária, apaixonada de normalidade, que antes de ser coroada Rainha do céu engoliu o pó da nossa pobre terra.

(Maria, donna dei nostri giorni. Dom Tonino Bello)

 

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