Segunda, 23 de Julho de 2018
ARTIGOS

FÉ, CIÊNCIA E RELIGIÃO


A sobrevivência da humanidade sempre foi a grande preocupação desde os tempos imemoriais. Desta necessidade de viver e explicar a vida, é que nascem os mitos da criação e posteriormente a Ciência.
A linguagem é diferente, os símbolos são diferentes, mas na sua essência, as idéias são as mesmas… Mitos de criação e modelos cosmológicos têm algo de fundamental em comum: ambos representam nossos esforços para compreender a existência do universo. Ao ler um artigo de um físico chamado Michio Kaku, confirmei uma conclusão que na verdade partilho com grandes nomes como o físico Marcelo Gleiser, cujas palavras cito acima e Teólogos como Leonardo Boff, Frei Prudente Nery que sempre diziam em suas aulas que a ciência que mais se aproxima da Teologia é a física. Fé e Ciência são duas maneiras diferentes de abordar o mesmo objeto: o mistério escondido na natureza ou o mistério velado e revelado de Deus.
Outras palavras dizem as mesmas coisas noutro sentido, outras respostas dadas às mesmas perguntas. Fé e Ciência não são dicotômicas nem paradoxais, da mesma forma que outrora os mitos da criação procuravam responder a grande pergunta antropológica: “De onde viemos e para onde iremos”. Hoje as teorias científicas se esforçam para encontrar uma resposta satisfatória para a mesma pergunta angustiante. Assim como a humanidade Pré-científica, que existe ainda hoje, não consegue entender quase nada das explicações dos homens da ciência, a comunidade científica não pode crer na simplicidade da fé popular. Num ponto, porém, se encontram: o que as duas tem de respostas se resume basicamente em palavras ou teorias. Da mesma forma que pode se achar estranho crer que de um só homem, Ele (Deus) fez toda raça humana para habitar sobre a face da terra, tendo fixado tempos previamente estabelecidos e limites de sua habitação (At 17,26); também pode se achar loucura a teoria do Big-Bang e, muito mais ainda do universo em expansão que caminha para um fim hipergelado chegando quase ao zero absoluto ou ainda, que exista universos paralelos para os quais poderemos hipoteticamente fugir por um chamado “buraco de minhoca.” Buraco de minhoca é o nome dado a supostas passagens entre um universo e outro. Isso nos parece tão “absurdo” como acreditar que, um homem chamado Noé fez uma Arca de madeira e nela salvou a humanidade e, ainda um casal de cada espécie animal de um dilúvio mandado por Deus para acabar com a terra.
No entanto, é mais fácil acreditar na Arca de Noé do que no nanobô, que seria Robôs do tamanho de átomos que levaria a semente humana através dos chamados buracos de minhoca para o universo paralelo; isto porque o seu tamanho o possibilitaria viajar numa velocidade próxima a da luz. Assim como a Bíblia diz que Deus criou toda a humanidade a partir de um só homem, os cientistas profetizam que a começar de um único robozinho destes, é possível povoar um universo inteiro. É preciso de fato muita fé para acreditar numa possibilidade destas e passar anos ou talvez uma vida inteira pesquisando; é um verdadeiro trabalho de um asceta, de um místico.
Observe o quanto a linguagem científica é parecida com a linguagem religiosa. Os cientistas falam de buracos negros quase como os teólogos falam do mistério de Deus. Veja esta descrição: Todos os buracos negros são cercados por um horizonte de eventos ou ponto além do qual não existe retorno possível… Mais interessante ainda se torna a linguagem quando os cientistas falam de coisas que nem eles mesmos nunca viram. O cientista Kip Thorne e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, mostraram que se alguém possuísse matéria exótica ou energia negativa suficiente poderia criar um buraco de verme passível de ser atravessado, isto é, uma passagem entre um ponto e outro do universo. Entretanto ninguém nunca viu a tal matéria exótica. Agora veja que poético: em principio ela (matéria exótica) deve pesar menos do que nada, e cair para cima em lugar de para baixo. Diante disso pergunto: não seria menos complicado acreditar que um homem ressuscitou dos mortos num corpo glorificado e que depois subiu para o Céu e foi ficar junto de Deus? É claro que Existe uma grande diferença entre o enfoque científico e o Religioso. As teorias cientificas são testadas e comprovadas em laboratórios, a Religião é artigo de fé, é crer na revelação Divina comprovando-a pelo Espírito, mas de tudo uma coisa fica clara, as duas, Fé e Ciência trilham o mesmo caminho: o caminho da eterna procura da compreensão do universo, do ser humano perfeito, da imortalidade, da plenitude.
Pe Hermano José Pereira, Opraem

 

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